Los conceptos vertidos en esta sección no reflejan necesariamente la línea editorial de Nodal. Consideramos importante que se conozcan porque contribuyen a tener una visión integral de la región.

Embora haja um esforço concentrado de parte da mídia para jogar os efeitos das revelações do chamado Dossiê do Panamá sobre o círculo do presidente russo Vladimir Putin, ou sobre o que vem se chamando de nova “aristocracia chinesa”, particularmente em torno do presidente Ki Jinping, o estrago mundial é muito maior. Como sempre, o nome – Panamá – joga no ar a suspeita de que “isto é coisa do terceiro mundo”. Mas as raízes da Mossack Fonseca, empresa cujo arquivo foi “hackeado”, se estendem por mais de 100 países.

O mais recente alvo das revelações do Dossiê é o primeiro-ministro David Cameron e sua família (seu pai, em particular). Os investimentos offshore que vieram à luz têm provocado incômodas interpelações para  primeiro-ministro no Reino Unido. Por outro lado, ao cobrar a fixação de regras mais rígidas para as offshores, proibindo, por exemplo, empresas que, como endereço, têm apenas uma caixa-postal, o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble teve de ouvir, da imprensa de seu próprio país, que a Alemanha é considerada um paraíso fiscal maior do que o Panamá. Ela está no oitavo lugar na lista da Transparency Internacional, enquanto o Panamá está no  décimo-segundo.

Outros comentários sugerem que o tema mais profundo levantado pelo Dossiê é o da democracia. O 1% mais rico do mundo tira do controle fiscal suas fortunas, através das offshores. Com isto, burlando o pagamento de impostos, retira de seus países de origem escolas, infra-estrutura, segurança, serviços de saúde, transporte e outros que devem ser garantidos por investimentos públicos. Mas não só isto: estas fortunas, depois, são aplicadas em parte em subverter as regras de funcionamento democrático nestes países, em escala mundial, em benefício dos plutocratas e seus arautos que pregam o laissez-faire mundial como panaceia para a saúde financeira global. No fundo, bem no fundo, são funcionamentos deste tipo que garantem que, por exemplo, no Brasil, uma presidenta honesta esteja sendo ameaçada de impeachment por bandos de sonegadores, perseguida pelos arautos, na mídia, da liberação dos mercados – que acabam por transformar a política num mercado.

Síria

Na próxima quarta-feira em Genebra serão retomamadas as conversações de paz sobre o país. Apesar das eventuais violações a trégua, que já dura seis semanas, é considerada pelo menos um sucesso parcial. As questões mais relevantes no momento são: 1. Os rebeldes mostram-se apreensivos com a proximidade entre Moscou e Washington; 2. Apesar disto, a cessação, ainda que parcial, da ofensiva russa mostra que pode haver disposição, por parte de Moscou, de negociar o destino de Bashar al-Assad; 3. Até o momento, no entanto, este não dá qualquer mostra de pretender negociar o próprio destino; 4. O enviado da ONU, Staffan de Mistura, tentará diminuir a tensão entre Arábia Saudita e Irã; 5. A tensão entre Turquia e Curdos.

Peru

No primeiro turno da eleição presidencial peruana, a filha de Alberto Fujimori, Keiko Fujimori, liderou o resultado. Segundo diferentes fontes, ela deve ficar com algo entre 35 e 39% dos votos. O segundo lugar ficou com o candidato preferido de Wall Street, Pedro Pablo Kuczyinski, com uma estimativa entre 21 e 25% da votação. Assim, o segundo turno, em junho, seria definido entre candidatos vistos como “favoráveis aos mercados”. A candidata de esquerda, Veronika Mendoza, ficou em terceiro, com algo entre 16 e 20%.

Canadá

Uma estranha “epidemia” de suicídios entre comunidades indígenas do país vem chamando a atenção das autoridades. Na comunidade Attawapiskat, no norte do estado de Ontário, foram registradas 11 tentativas de suicídio num único dia. Somente no mês de março houve 28 tentativas, e mais de 100 desde setembro. Todavia, até o momento, apenas uma teve “sucesso”. As vítimas têm idade entre 11 e 71 anos. Outra comunidade, em Manitoba, em 2 meses registraram-se 140 tentativas, seis delas fatais. As autoridades estão despachando ajuda, incluindo psiquiatras, para elas. As causas ainda são desconhecidas, mas apontam-se como fatores presentes o assédio nas escolas, o assédio sexual em vários locais, e o consumo excessivo de drogas, inclusive o álcool.

Cartamaior